Fases da lua em fevereiro

Fevereiro é o único mês do calendário que pode passar inteiro sem uma lua cheia. O ciclo lunar completo dura cerca de 29,5 dias — mais que os 28 ou 29 dias do mês —, e por isso uma das fases às vezes escapa de fevereiro e só reaparece em março.

Fases da lua e lua cheia, ano a ano

Duas famílias de páginas cobrem o assunto: uma reúne as quatro fases do mês inteiro, outra se dedica só à lua cheia e ao que se pode observar nela.

As quatro fases de cada fevereiro

A lua cheia de cada fevereiro

O mês que quase cabe dentro de um ciclo lunar

O intervalo entre duas luas novas consecutivas — o chamado mês sinódico — dura em média 29 dias, 12 horas e 44 minutos. Todos os meses do calendário têm 30 ou 31 dias e, por isso, sempre acomodam um ciclo completo com folga. Fevereiro é a exceção: com 28 dias, ou 29 nos anos bissextos, ele é mais curto que o próprio ciclo da Lua.

A consequência é única no calendário. Se a lua cheia acontece nos últimos dias de janeiro, a seguinte só chega no início de março — e fevereiro atravessa inteiro sem nenhuma lua cheia. É um fenômeno raro, possível apenas nos anos de 28 dias, e o inverso jamais ocorre: fevereiro nunca tem duas luas cheias, porque não há espaço para dois eventos separados por 29 dias e meio dentro de um mês menor que isso. O mesmo raciocínio vale para qualquer uma das quatro fases. Se você quer entender por que o mês ficou com esse tamanho estranho, veja por que fevereiro tem 28 dias e quantos dias tem fevereiro.

As quatro fases e o que se vê no céu

As fases não são sombra da Terra sobre a Lua, como às vezes se imagina: elas são apenas o resultado do ângulo entre Sol, Terra e Lua. Metade da Lua está sempre iluminada; o que muda é quanto dessa metade fica virada para nós.

Na lua nova, o satélite está entre a Terra e o Sol, com a face iluminada voltada para o lado oposto ao nosso. Ela nasce e se põe junto com o Sol e some no clarão do dia — é a melhor semana do mês para observar estrelas, planetas e a Via Láctea. No quarto crescente, enxergamos metade do disco: a Lua aparece alta no fim da tarde e se põe por volta da meia-noite, e é quando as crateras junto à linha que separa luz e sombra ficam mais nítidas em binóculos.

Na lua cheia, a Terra fica entre o Sol e a Lua. O disco inteiro é iluminado, nasce no leste quase no momento do pôr do sol e se põe no oeste ao amanhecer: fica visível a noite toda e ofusca boa parte do céu estrelado. No quarto minguante, a metade iluminada é a oposta à do crescente; a Lua nasce por volta da meia-noite e ainda aparece no céu da manhã, pálida sobre o azul. Um detalhe brasileiro: no hemisfério sul, a parte iluminada aparece do lado contrário ao que se vê nas fotos e nos desenhos feitos no hemisfério norte.

Lua da Neve: um apelido que não descreve o Brasil

A lua cheia de fevereiro é frequentemente chamada de Lua da Neve. O nome vem de tradições de povos originários do nordeste da América do Norte, registradas e difundidas por almanaques norte-americanos, e faz sentido lá: fevereiro é o mês em que a neve costuma se acumular mais. Da mesma tradição vêm outros apelidos do mesmo mês, como Lua da Fome e Lua da Tempestade — todos ligados à escassez do inverno rigoroso.

No Brasil a situação é oposta. Fevereiro é plena estação chuvosa e quente na maior parte do país, o mês do Carnaval e das férias que terminam. Chamar a lua cheia de fevereiro de Lua da Neve é usar uma etiqueta importada, que se popularizou pela internet e pela tradução direta de calendários estrangeiros. Nada impede o uso do nome, desde que fique claro que ele descreve o clima de outro hemisfério, e não o céu que a gente vê daqui.

Tradições do calendário lunar e o que a ciência diz

Poucos objetos do céu acumularam tanta crença quanto a Lua. Há almanaques agrícolas que orientam plantar folhosas na lua crescente e raízes na minguante; pescadores que juram que o peixe rende mais nas noites de lua cheia; a recomendação de cortar o cabelo em determinada fase para ele crescer mais forte; e a ideia, repetida em maternidades, de que nasce mais gente quando a lua está cheia. Tudo isso é folclore: são tradições culturais, transmitidas de geração em geração, sem base científica que as sustente.

O que a Lua de fato provoca é maré. A atração gravitacional do satélite, somada à do Sol, produz marés mais amplas na lua cheia e na lua nova — as marés de sizígia — e mais fracas nos quartos. Esse efeito é medido, previsto em tábuas oficiais e importa para navegação e pesca. Do resto — cabelo, plantio, parto, humor —, não há evidência. O céu de fevereiro rende observação de sobra sem precisar de mistério: veja também as datas comemorativas do mês e o calendário de cada ano para se programar.

Perguntas frequentes

Fevereiro pode ficar sem lua cheia?

Pode, e é o único mês em que isso acontece. Como o ciclo lunar dura cerca de 29,5 dias e fevereiro tem 28 ou 29, basta que a lua cheia caia bem no fim de janeiro para que a seguinte só apareça em março. Pelo mesmo motivo, fevereiro nunca tem duas luas cheias.

Por que a lua cheia de fevereiro é chamada de Lua da Neve?

O apelido vem de tradições de povos do hemisfério norte, onde fevereiro costuma ser o mês de maior acúmulo de neve, e foi popularizado por almanaques norte-americanos. No Brasil, fevereiro é auge de verão, então o nome descreve um clima que não é o nosso: trata-se de uma etiqueta importada.

As fases da lua acontecem no mesmo horário em todo o Brasil?

O instante de cada fase é único para o planeta inteiro: a lua cheia acontece no mesmo momento para todo mundo. O que muda é a hora marcada no relógio de cada fuso. As efemérides brasileiras costumam publicar o horário de Brasília, e quem mora em estados de outro fuso precisa ajustar a diferença.